Li um post do Luiz Mastroprieto no Estalo que me chamou atenção. Ele exaltava a estratégia do Departamento de Turismo de Queensland, que anunciou O Melhor Emprego do Mundo, gerando muito buzz na mídia.
Segundo ele,
Em um momento em que todos anunciantes estão repensando maneiras em maximizar o seu ROI em campanhas publicitárias, esse tipo de iniciativa se prevalece frente aos métodos tradicionais da indústria. Para se ter uma idéia, a campanha teve um investimento de AU$1,7 milhões, mas gerou um retorno de mais de AU$70 milhões em mídia espontânea.

É engraçado que, na maioria das vezes, as pessoas pensam estar mensurando ROI usando apenas resultados de campanha – como se estes fossem desconectados dos objetivos de negócio. Este é o tipo de perspectiva que gera aberrações como essa: julgar resultados apenas por comparações como esta “investimento de AU$1,7 milhões geraram um retorno de mais de AU$70 milhões em mídia espontânea”. É a mesma lógica que nos leva a julgar o trabalho de uma assessoria de impresnsa pela simples centimetragem.
Se a campanha é do Departamento de Turismo de Queensland, provavelmente, eles têm objetivos de negócio. Um objetivo da instituição, claramente, não é ter milhões de views na internet. Talvez seja aumentar o número de turistas que viajam para a ilha; talvez seja convencer as empresas aéreas a disponibilizarem mais vôos; ou até conquistar espaço político para a construção de um novo aeroporto. Não sabemos.
Se não sabemos o objetivo, fica claro que não podemos falar de análise de ROI. Julgar campanhas por meio da própria campanha é o tipo de coisa na qual só publicitário acredita. É sofismar – chegar a conclusões falsas por meio de argumentos verdadeiros.
Diego Senise


