O universo não está escrito desde a eternidade – ele é, antes de tudo, um vazio. Interpretar não é nunca dispor de um sentido, memo que oculto: a interpretação é , ao contrário, impressão numa página em branco; interpretar é produzir sentidos e signos [e não, descobrí-los].
O Democratas (antigo PFL) poderia tomar a iniciativa de reduzir, espontaneamente, o número de assessores do Congresso. Eles são muitos, e muito bem pagos. Seria uma maneira de reduzir os gastos públicos e enxugar o Estado – o que vai bem ao encontro das crenças desse partido que se diz liberal. Uma maneira ousada de demonstrar quais são as crenças dessa marca.
Não acredito que um dia isso ocorra. Diferentemente dos EUA, a lógica dos partidos no Brasil não é uma lógica de marca. A maioria das pessoas vota em pessoas, não em partidos.
Ai que prazer
Não cumprir um dever. Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada.
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
Quem nunca sentiu esse peso na consciência por ter um livro na estante e não o ler? Liberadde, então, não é poder fazer o que quiser, mas ter a cosciência tranquila por não fazer tudo o que a liberdade permite. É não ser pressionado por si mesmo.
Ao fotografar, conretizamos a imagem que a sociedade gostaria de ter de si mesma. Seria esta a análise sociológica?
J.S.M – SIm. E, é claro que existem padrões. (…) A partir do boom do cinema, essas fotos passaram a imitar cenas dos filmes norte-americanos. Algo fora da realidade dessas pessoas. Precisamos levar em conta que o imaginário vai sendo produzido conforme as circunstâncias.
Considera a foto não como documentação objetiva da história. Lembra-nos que a fotografia está envolta por um imaginário com o qual temos que interagir para entender seus significados. Neste contexto, estamos considerando as fotos mais corriqueiras do dia-a-dia. Não estamos tratando de fotos da mídia, que tem uma carga ideológica e interessada que renderia muitos outros posts.
“Não quero sair assim da na foto. Tira outra.” Essa é uma frase bem recorrente para nós. Podemos analisá-la segunda o livro Memória e Sociedade de Eclea Bosi. Para ela, existe um princípio de correlação entre memória e identidade. As memórias e as imagens do passado compoem a identidade da pessoa. A identidade seria aquio que já se fez de importante, que é memorável (individual ou coletivamente).
Como a memória não consegue armazenar tudo, existe uma seleção cujo filtro são as boas recordações… aquelas que a pessoa deseja que componham sua identidade. Recordamos fatos marcante, nos esquecemos dos constrangimentos e das tristezas. Cada vez que somos perguntados sobre nós mesmos, criamos uma fantasia, um mundo de seleções, fragmentos do nosso percurso que mereceram lugar na memória pois cumprem o papel de serem reconhecidas pelos outros.
As fotos do dia-a-dia têm 2 características que nos fazem perceber a relação entre elas e esta teoria.
1) Como a foto é materialização do passado, ou pelo menos, um meio para que surjam as lembranças dos momentos.
2) Uma foto ser a captação de um instante, que está necessariamente no passado. Porém, ela desperta significados no presente – no momento em que se mostra para alguém.
Por causa desta função social mediação de sentidos entre as pessoas, a foto é protagonista na formação da identidade das pessoas. Naturalmente, nós tentamos ter o mínimo controle sobre como vamos ser reconhecidos pelos outros.
“Então, já vai fazer 8 meses que tô morando aqui em São Paulo. Mas sempre comprei tudo no Rio de Janeiro, sabia? Roupas, eletrônicos, calçados, até pra cortar o cabelo eu ia pro Rio”. Os amigos ao redor da mesa, curiosos, lançaram logo um porquê. O rapaz, rindo ao montes como quem antecipa o final de uma piada esdrúxula, conclui: “Pô, o Rio precisa muito mais do meu ICMS do que São Paulo! Fala ae! Rá!”
Que a conscientização socioambiental já atingiu o campo da arte não é novidade. Inúmeros artistas já fizeram trabalhos para refletir um pouco mais de nosso tempo. A novidade é que demanda social pela responsabilidade e sustentabilidade dos projetos está ganhando tons institucionalizados: os “lugares de arte” (museus) estão trazendo para dentro deles manifestações cujos diferenciais não estão relacionados somente a sua estética, mas ao seu processo (sustentável) de produção.
Só me toquei disso quando fui no Museu da Casa Brasileira lá na Faria Lima. Estava tendo uma exposição de bolsas que foram produzidas por grupos de design com materiais recicláveis ou reaproveitados e em parceria com comunidade carentes. Além de conceber e produzir projetos realmente belos e sustentáveis, os projetos visavam ensinar técnicas que permitisse que os membros da comunidade gerassem sua própria renda após o fim do projeto.
Esse movimento das instituições de arte chancela que os novos valores sociais devem modificar nossa percepção da arte. Parece que passamos a incluir mais um critério na valoração daquilo que é chamado arte: o processo de produção. Na apreciação do belo, vemos também o que há por trás da obra, não só o que nosso olhar capta. Os conceitos que a arte transmite não estão mais somente no estético (e seus significados), mas também na história que seu processo de produção pode contar. Tal arte não seria a mesma coisa sem a plaquinha ao lado com a descrição do projeto.
Isso levanta a bola da questão do papel da arte. Esse movimento dos museus que vimos aqui está relacionado com a concepção idealista de arte de Shelling. Para ele, arte é aquilo que torna o ser-humo melhor. A arte teria um papel pedagógico. A arte deve mostrar a representação do que há de melhor da realidade (atualmente, um trabalho artístico e que ainda melhora a sociedade). Assim, inspirando-se nisto, o público desta arte também tentaria melhorar a realidade.
PS: Parabéns pro Rafa lá da Leo Burnett, que participou desse projeto e criou uma bolsa bem legal junto com uma comunidade.
“Quanto ao motivo que me impulsionou [a escrever A História da Sexualidade] foi muito simples. Para alguns, espero, esse motivo poderá ser suficiente por ele mesmo. É a curiosidade – em todo caso, a única espécie de curiosidade que vale a pena ser praticada comum pouco de obstinação: não aquela que procura assimilar o que convém conhecer, mas a que permite separar-se de si meesmo.
De que valeria a obstinação do saber se ele assegurasse apenas a aquisição de conhecimento e não, de certa maneira, e tanto quanto possível, o descaminho daquele que conhece? Existem momentos na vida onde a questão de saber se se pode pensar diferentemente do que pensa, e perceber diferentemente do que se vê, é indispensável para continuar a olhar e refletir.”‘
Trecho retirado do livro História da Sexualidade, de Michel Foucault
A tolice, o pecado, o logro, a mesquinhez
Habitam nosso espírito e o corpo viciam,
E adoráveis remorsos sempre nos saciam,
Como o mendigo exibe a sua sordidez.
–
Neste poema, Baudelaire nos traz um ponto de vista sobre o remorso bem oposto ao que nossa tradição cultural no conta. Sendo nosso corpo e alma viciados nos atos e prazeres mais “impuros” (mesquinhez, pecado), o remorso posterior a este atos não seria ruim.
Depois que passamos a escrever pequenos drops sobre a “conversa dos outros”, eu e o Rafa paramos pra pensar o que mais poderia servir de matéria-prima para inspirar nosso dia-a-dia. Chegamos a um ponto bem simples: trazer à tona outros pontos de vista com relação às coisas.
Pode ser com relação a uma palavra, uma idéia, um tema, uma propaganda, um comportamento etc. A idéia é parar pra pensar naquelas coisas que parecem estar tão estabelecidas nas nossas cabeças que nem reparamos (ou pensamos) direito nelas. O ponto de vista apresentado sempre será OUTRO, o que não significa verdadeiro, questionador, transgressor. É apenas um outro olhar.
Acreditamos que esse deslocamento do nosso olhar sobre as coisas pode arejar nossas cabeças e permitir que novas idéias surjam.
Os dois tratam de inspiração no momento sublime do estalo que transforma o pensamento em arte, do momento em que a palavra (ou a nota musical) é expelida do coração para a ponta do lápis com o qual escrevemos.
Essas duas obras geniais apresentam pontos de vista completamente opostos esse momento: Augusto do Anjos fala da agonia e a impotência diante da incapacidade de criar e Paulinho da Viola cria um encamento alegórico do momento em que o poeta consegue criar.
Acompanhe a música na versão do cd de Teresa Cristina:
QUANDO BATE UMA SAUDADE
Paulinhho da Viola
Vem quando bate uma saudade
Triste, carregado de emoção
Ou aflito quando um beijo já não arde
No reverso inevitável da paixão
Quase sempre um coração amargurado
Pelo desprezo de alguém
É tocado pelas cordas de uma viola
É assim que um samba vem
Quando um poeta se encontra
Sozinho num canto qualquer do seu mundo
Vibram acordes, surgem imagens
Soam palavras, formam-se frases
Mágoas, tudo passa com o tempo
Lágrimas são as pedras preciosas da ilusão
Quando, surge a luz da criação no pensamento
Ele trata com ternura o sofrimento
E afasta a solidão
O MARTÍRIO DO ARTISTA
Augusto dos Anjos
Arte ingrata! E conquanto, em desalento,
A órbita elipsoidal dos olhos lhe arda,
Busca exteriorizar o pensamento
Que em suas fronetais células guarda!
Tarda-lhe a idéa! A inspiração lhe tarda!
E ei-lo a tremer, rasga o papel, violento, Como o soldado que rasgou a farda
No desespero do último momento!
Tenta chorar e os olhos sente enxutos!… É como o paralítico que, à mingua
Da própria voz e na que ardente o lavra
Febre de em vão falar, com os dedos brutos
Para falar, puxa e repuxa a língua, E não lhe vem à boca uma palavra!