Paranóia Publicitária

 

A edição de lançamento da revista Época Negócios trouxe um artigo curioso do Marcelo Coppola chamado “Para entender a mente do cliente”.

Segundo ele, algumas agências estão utilizando um método muito peculiar para medir a possível eficácia das campanhas. Resumindo, a partir de imagens captadas por ressonância magnética, uma máquina conseguiria identificar as reações dos consumidores à diversos anúncios e campanhas.

A agência americana Arnold Worldwide entrou nessa onda. Começou a usar esse método para ajudar nos insight da sua campanha de bourbon Jack Daniels. A justificativa deles é que, muitas vezes, as pessoas não revelam verbalmente o que realmente as emociona. A agência gostou tanto do método que vai estendê-lo para saber a reação dos consumidores na frente das gôndolas do supermercado.

Especialistas de grandes universidades americanas estão otimistas com esta tecnologia que está em rápido desenvolvimento e que, segundo eles, pode desvendar até quais seriam as metáforas mais eficazes para uma campanha.

306577325_17b9b21372.jpg

Apesar de duvidar disso tudo, não vou ficar refletindo sobre a eficiência de saber a reação cerebral das pessoas. Quero falar da publicidade.

Diante desta notícia parei pra pensar em qual é o verdadeiro papel da criatividade na publicidade? Na verdade, o que vale realmente são os resultados que os anunciantes têm com as ações publicitárias. Isso é fato. A criatividade da publicidade não vive por si própria nem para si própria. Assim, imagine qual seria o impacto para os anunciantes se daqui a algum tempo, a publicidade der resultado somente por meio de deduções técnicas? Praticamente nenhum!

Além do mercado, temos o outro lado da moeda, as agências. O que aconteceria se isso se consolidasse no mercado publicitário?

Antigamente, lá no início da publicidade moderna, alguns publicitários, como o mitológico-melhor-publicitário-do-mundo Bill Bernbach, falavam que a criação e a pesquisa não combinavam. Uma campanha devia ser feita somente pelos criativos da agência. Atualmente, os criativos apenas desenvolvem as campanhas a partir das idéias estratégicas escolhidas pelos planejadores, e com bases em pesquisas de mercado. Ou seja, munidos de diversas pesquisas os planejadores tentam encontrar a idéia mais eficaz para determinado público em determinado contexto.

Será que no futuro, o setor de Tecnologia Cerebral Invasiva vai tomar o lugar de pesquisa e planejamento nas agências? E os criativos farão só a Produção das peças escolhidas pela máquina? E os consumidores? Já que os publicitários conhecem seus cérebros, eles seriam invariavelmente impulsionados às compras. É a volta da teoria da “Bala Mágica”.

Ainda bem que você também acha isto um grande absurdo.

Sem escorregar em questões éticas, esse negócio de leitura de pensamentos me parece mais uma história de ficção científica. Parece que estão tentando achar a resposta para todas as perguntas, o gabarito de todas as coisas, a verdade absoluta… e pior, tentam racionalizar a criatividade e torná-la uma ciência exata.

Diego Senise

1 Response to “Paranóia Publicitária”


  1. 1 diegosenise abril 15, 2007 às 11:17 pm

    LINDO, LINDO, LINDO!!!!!
    E O RAFA É JACÚ!!

    A.C


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s





%d blogueiros gostam disto: