Tele-tela…

A classificação indicativa de idade são aqueles números coloridos que aparecem no canto da tela antes do início de qualquer programação. É uma forma de avisar é conteúdo é inadequado a pessoas de determinadas idade.

Ainda existem poucas pesquisas sobre o assunto. Algumas indicam que poderia haver um “efeito boomerang”. Ou seja, as indicações de idade e teor do conteúdo (violência e sexo) tornariam o conteúdo mais atraente para crianças e adolescentes.

Sobre este assunto, uma campanha da Rede Globo me chamou atenção nas últimas semanas.

COMERCIAL

É inegável que a Globo usou uma linguagem visual e textual muito persuasiva, e alinhada com seus interesses. Depois que os pais estão ficam repetidamente tirando as mãos da frente dos olhos das crianças, surge um sorriso aliviado, feliz.

É importante ressaltar que a Globo não está infringindo nenhuma lei. Segundo o Ministério da Justiça, os pais são os responsáveis pela deliberação sobre o que seus filhos podem ou não ver. Usa-se o conceito de co-responsabilidade para designar o papel da família na escolha da programação que as crianças assistem.

É interessante notar como um mesmo argumento verdadeiro e legal pode ser transmitido de diversas maneiras. A propaganda poderia mostrar pais decidindo o que os filhos podem ver tampando a visão deles, em vez de tirar as mãos da frente. A idéia de responsabilidade dos pais continua presente, continua-se cumprindo a decisão judicial, porém a emissora perderia a oportunidade de transmitir uma mensagem que a beneficia.

A campanha, claramente, visa influencia o comportamento dos pais, no sentido de desmerecer a indicação de idade, tornando-a uma mera formalidade.

Nesta propaganda, a Globo utiliza um processo característico de campanhas ideológicas. Os interesses contidos na ideologia são transferidos e atribuídos diretamente aos receptores. Como os critérios de escolha da programação que as crianças assistirão estão nas mãos dos pais, a emissora se exime de qualquer responsabilidade sobre as conseqüências aquele conteúdo tem sobre o público infantil.

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O slogan final “Cidadania: A gente se vê por aqui” é de extrema importância. Passa a idéia de neutralidade ideológica (isenção de interesses) da propaganda. Deste modo, a questão da conscientização pela cidadania legitima o discurso, que ganha mais credibilidade.

Sem deslizar em critérios éticos, a estratégia utilizada pela Globo foi muito inteligente e oportuna. Aproveitou-se de uma decisão judicial para lançar uma boa campanha ideológica de transferência de responsabilidade e valores. Além de tudo, esta campanha é bem recebida pelos pais e pela sociedade, pois valoriza a instituição da família.

Valeu pela ajuda, Leleba.

Diego Senise

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