Contra os que são do contra.

Alguém que clame pelo primeiro atirador de pedra aquele que tem algo contra a publicidade verá chover pedras. Com motivos óbvios, razões evidentes e argumentos tidos como incontestáveis sempre em mãos, todos (de A a Z) sempre têm algo a dizer quando são perguntados “o que você acha da publicidade?”. E por que diabos a publicidade é sempre tão fomentada pela inconformidade das pessoas?

Resposta pra essa questão eu nem formularia, muito menos defenderia a publicidade com o mesmo vigor que a condenam. Venho aqui me por contra os que são contra. Não somente contra-argumentar, mas discutir. Afinal, sempre me faltam argumentos alhures realmente fundamentados que me convençam de que a publicidade nada mais é do que uma etapa estratégica de um fluxo econômico chamado capitalismo.

Antes de tecer críticas aos críticos, faço um pedido: os publicitários que tenham convicções contrárias ao capitalismo, por favor, não desperdicem seu tempo entrando em contradições próprias. E, só para constar, as maiores potências econômicas do mundo, hoje, são ameaçadas por antigos Estados socialistas que, veja só, resolveram adotar o capitalismo. Tem como ser mais claro?

A publicidade vende mentiras. Hum… eu acho muito engraçado isso. Ainda mais quando eu escuto de pessoas que trabalham, estudam ou pesquisam a comunicação. Quando se fala “a publicidade vende”, tudo bem. É até pleonasmo. Mas, preste atenção, o que é mentira? Uma outra versão da verdade? Algo que não é verdadeiro? Vamos parar por aqui. A verdade é uma construção consentida da realidade. O que é verdade pra uns não é para outros. Tudo se pauta em o quanto um determinado ponto-de-vista é disseminado ou não, afinal, verdades são pontos-de-vista que possuem maior credibilidade que outros. A fenomenologia da comunicação prova que ninguém nunca poderá ter o mesmo ponto-de-vista, pois ninguém nunca poderá ocupar o mesmo espaço num mesmo momento e viver a mesma experiência. Logo, para viver em sociedade, as pessoas convencionam valores, esteriótipos e códigos morais que facilitam a perenidade da sociedade, criando, assim, as “verdades” – signos ideologicamente dominantes inseridos no repertório de significados de um indivíduo. Portanto, como é que alguém pode criticar algo por ser uma representação do real? Como alguém pode me dizer o que é mentira ou verdade? Quem disse que publicidade não pode vender verdades? E olha que assunto não acaba por aí.

A publicidade manipula e persuade. O preceito aplicado ao conceito. Mas que merda de argumento, né? A persuasão e a manipulação fazem parte do caráter humano. O que você faz ao se comunicar? Você tenta impor suas idéias e seus valores ao receptor. Querendo ou não, você só pode enunciar aquilo que faz parte do seu campo ideológico, e partindo do pressuposto de que todo signo é ideológico, você sempre estará num embate de mão-dupla com os valores do receptor, que também é outro enunciador. As marcas (identidades iconográficas das empresas, ou seja, suas personificações) simplesmente se comunicam com seu público-alvo, com o mesmo intuito informativo e educativo que um pai se comunica com seu filho, ou da mesma maneira que você fala com seu amigo. Por fim, partindo de um postulado filosófico pós-moderno, uma pessoa só é feliz quando aplica ao máximo a sua potência, os seus desejos, as suas idéias, ou seja, quando um indíviduo convence os outros a partilharem de sua própria felicidade. O mesmo vale para as marcas! Elas só querem que você partilhe dos seus mesmos ideais e valores, se valendo do mesmo discurso persuasivo que uma pessoa utiliza para conversar com seus amigos, familiares e conhecidos. Culpar a publicidade por ser persuasiva e manipulador é atirar no próprio pé. Aliás, de onde vem a idéia de que manipular e persuadir é algo ruim, ou deplorável? Sinceramente…

Poderia continuar escrevendo, mas acho que já me fiz claro. Eu gosto mesmo é de discutir, por isso abro espaço para isso.

Como uma provocação final, concluo que, no fundo, os argumentos de quem é contra a publicidade, na verdade, nada mais são do que hipocrisias veladas pelo senso-comum. E tenho dito.

Rafael Lavor

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