A hora do NÃO-FAZER

Numa viagem ônibus pro interior pela empresa de transporte Rápido Ribeirão, fiquei surpreso com a simplicidade e eficácia de uma idéia.

Logo na entrada do ônibus, havia distribuição gratuita de jornais Estado de São Paulo. Nos bancos do ônibus havia propaganda institucional do Estadão.

estadao.jpg

O Estadão acertou em cheio na escolha no espaço de tempo da distribuição. Esta é justamente uma hora do não fazer – momentos em que as pessoas não fazem praticamente nada além de esperar o tempo passar. Normalmente, nestes períodos de não fazer, as pessoas têm uma predisposição maior às ações de comunicação: não há aquela interrupção indesejada do que a pessoa está fazendo, até porque não há o que interromper. Não consigo pensar em outra situação da correria do dia-a-dia em que uma pessoa teria tanto tempo livre para conhecer a fundo as colunas e matérias de um jornal.

Não vou exagerar. Até dentro de um ônibus existe concorrência: as músicas do iPod, uma conversa com a pessoa ao lado, outras leituras, palavras cruzadas, a paisagem e, principalmente, o sono.

Quando vence esta concorrência, conseguindo a cobiçada atenção do leitor, o Estadão atinge seus prospects de duas maneiras. Mostra ao não-leitor de jornais a importância de estar bem informado e muda os estereótipos que os leitores de outros jornais têm. Justamente o que aconteceu comigo (leitor da Folha). Provavelmente, as pessoas não descerão do ônibus ávidas a assinar o jornal o mais rápido possível. Porém, a simples leitura durante a viagem tem potencial para mudar a percepção das pessoas em relação à marca – o que já é um grande passo.

Além disso, a distribuição de bom conteúdo jornalístico gratuitamente ainda agrega valor à Rápido Ribeirão porque mostra a preocupação da empresa em tornar a viagem menos entediante. Ou seja, melhora a experiência de consumo de seus passageiros com a empresa de transporte.

A idéia não é revolucionária, mas traz benefícios para ambas empresas de forma barata e ainda consegue fazer alguma diferença na vida das pessoas que viajam.

Diego Senise

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Não somente em ônibus, mas em aviões também. Varig, BRA, Ocean Air, TAM e Gol já disponibilizam seus encostos como canais de contato com o consumidor – isso sem falar nas táticas de sampling e de product placement que rolam durante o vôo. Uma mídia meio cara (lembrando que os aeroportos e aviões são os espaços mais caros para se anunciar), mas bem segmentada e com ótima relação tempo de exposição de marca por consumidor.

É bom lembrar também da ação da Nokia nos aviões da Gol. Da mesma maneira, os encostos traseiros traziam mensagens diversificadas sobre os novos produtos da Nokia, com uma linguagem bem direcionada em anúncios variados – a cada fileira, 3 anúncios diferentes. Além de tudo, a Gol disponibiliza revistas institucionais em cada assento. E advinha? Lá encontram-se outros anúncios da Nokia, bem mais elaborados, e falando dos mesmos produtos.

Estratégia de campanha bem formulada, com linguagem, público-alvo e canais bem alinhados, e aplicados exatamente na(s) hora(s) do não-fazer, deixando um relevante residual de marca – e isso é o que importa.

Rafael Lavor

3 Responses to “A hora do NÃO-FAZER”


  1. 1 Renata julho 12, 2007 às 2:34 am

    Ah, legal, hein?

  2. 2 diegosenise julho 12, 2007 às 11:42 am

    huahuahaha… boa ReH


  1. 1 Brincadeira de adulto « Logopéia Trackback em março 9, 2008 às 12:20 pm

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