Longe de mim!

Há algumas semanas, me inquietei com uma situação que sempre esteve aí, mas que eu nunca tinha parado pra pensar. É o seguinte: as pessoas tendem a se distanciarem de desconhecidos, mesmo quando este não lhe oferece risco. Será que isso deveria ser o normal? Será que seres racionais vivendo em sociedade deveriam ter tanta aversão a qualquer tipo de aproximação?

Por exemplo: quando você está andando lado a lado com alguém, na mesma passada dele, certamente alguém irá acelerar ou diminuir a passada simplesmente para não ficarem muito próximos. Ou quando você entra no metrô, olha pra direita, vê alguém, e decidi ir para a esquerda. Mesmo que o cara não pareça ameaçador, esteja bem vestido, e lhe pareça agradável.

distancia-metro.jpg

Boa parte das pessoas com quem falei sobre isso, relacionou a atitude a um instinto natural de segurança. Mas acho que é mais do que isso. Parece-me que, realmente, não queremos entrar em contato com os outros. Uma das possíveis causas é medo da reação do desconhecido, que pode rejeitá-lo, caso o considere inconveniente. É o receio coerção social, que pode ser simplesmente um olhar desconfiado ou amedrontado.

Sabemos que a sociedade ocidental é baseada no individualismo. Como convivemos nesse contexto, consideramos normal que as relações, atitudes e opiniões sejam majoritariamente baseadas no interesse individual. Ou seja, há um consenso tácito de que qualquer relação carrega algum tipo de intenção por trás. Por exemplo: se você está comendo no bandejão vazio e alguém senta em sua mesa e lhe cumprimenta, você logo pensa “por que esse mala veio sentar ao meu lado se tem tanto banco vazio? Deve estar querendo alguma coisa”. Fica clara, assim, a impossibilidade de se percebermos a aproximação social como mera simpatia e cordialidade casual.

individualismo.jpg

Como não temos esta cultura de aproximação cordial com os outros em ambientes públicos, o padrão de comportamento social é as pessoas se afastarem. Se não me aproximo aleatoriamente de um desconhecido, espero que ele não faça o mesmo comigo. São costumes tão consolidados que nos fazem agir automaticamente, sem pensar neles. É como se cada lugar estabelecesse determinados tipos de comportamento que evita o contato entre desconhecidos. No elevador: olhar pra baixo. No ônibus: olhar para frente ou pela janela.

Bom… para escrever essa reflexão-sem-conclusão, consultei várias pessoas. A melhor e mais ranzinza resposta foi: “me afasto das pessoas pelo mesmo motivo que eu não chamo ninguém pra ir cagar junto comigo.”

Privacidade? Sei lá…

Diego Senise

4 Responses to “Longe de mim!”


  1. 1 Rafa Lavor agosto 15, 2007 às 9:28 pm

    E isso tudo ainda se aplica à comunicação!

    É como se uma marca chegasse pra você e, passivamente, se apresentasse. Da mesma maneira que uma pessoa estranha pode chegar ao seu lado, seja qual for o lugar, e ficar lá parada, vulnerável a um julgamento seu.

    Você julga a marca (ou a pessoa) e pode simpatizar com ela ou não. Geralmente, chegamos como conclusão ao “não”. Simplesmente pelo fato de que seus valores não batem com o da pessoa (ou marca) apresentada a você.

    A única diferença, neste caso, entre uma pessoa e uma marca é que a marca procura seduzir, através dos seus mesmos valores, enquanto que a pessoa estranha não está nem ligando pra você. A não ser, lógico, que essa pessoa seja uma linda mulher que olhe pra você e dê uma piscadinha simpática em sua direção (ou melhor, nada mais do que tudo aquilo que uma marca gostaria de fazer pra conquistar você, o consumidor).

    Abraço, querido!

  2. 2 Vanessa abril 19, 2008 às 1:42 pm

    Oi Diego,
    É uma pena que chegamos a tal ponto.
    Realmente estamos cada vez mais individualistas. Chegamos ao caos social, pois as pessoas nao se olham, nao se tocam, nao se falam, nao se gostam! E uma sociedade assim, que só olha pra si, vive repleta de conflitos e se esconde de si mesmo, acabando por viver no seu próprio mundo, aquele idealizado, onde tudo é lindo e perfeito. Por isso as pessoas hoje por qualquer ínfimo motivo se matam, matam seus filhos, seus companheiros, pq nao conseguem mais lidar com seus conflitos internos, nao conseguem encarar a realidade pq criam um mundo onde sao o próprio centro, pq nao entendem que precisam do outro para conseguir encontrar respostas para si mesmos. Ninguém vive só, somos seres sociáveis, precisamos do outro para externalizar-nos e assim descobrir quem somos e o que pensamos. É preciso tentar conviver, pq sao nas diferencas que treinamos a tolerância, o respeito, a paciencia, e nos descobrimos através do outro. E na relacao com o outro que amadurecemos. Entao porque nao comecar a mudar a nossa postura? Se cada um fizer sua parte, será um grande início para mudar essa triste realidade.
    Abracos.
    Vanessa

  3. 3 Vanessa abril 19, 2008 às 1:59 pm

    É uma pena que chegamos a tal ponto.
    Realmente estamos cada vez mais individualistas. Chegamos ao caos social, pois as pessoas não se olham, não se tocam, não se falam, não se gostam! E uma sociedade assim, que só olha pra si, vive repleta de conflitos e se esconde de si mesmo, acabando por viver no seu próprio mundo, aquele idealizado, onde tudo é lindo e perfeito. Por isso, as pessoas hoje, por ínfimos motivos se matam, matam seus filhos, seus companheiros, porque não conseguem mais lidar com seus conflitos internos, não conseguem encarar a realidade, porque criam um mundo onde é o próprio centro, porque não entendem que precisam do outro para conseguir encontrar respostas para si mesmos. Ninguém vive só, somos seres sociáveis, precisamos do outro para externalizar-nos e assim descobrir quem somos e o que pensamos. É preciso tentar conviver, porque é nas diferenças que treinamos a tolerância, o respeito, a paciência, e nos descobrimos. É na relação com o outro que amadurecemos. Então porque não começar a mudar a nossa postura? Se cada um fizer sua parte, será um grande início para mudar essa triste realidade.

  4. 4 Vanessa abril 19, 2008 às 2:03 pm

    tem erros na primeira postagem, por isso, mandei outra. bjos.


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