Quadrados imperfeitos

Uma das coisas mais chatas da comunicação e do marketing são os modelos que aprendemos que, invariavelmente, temos que seguir. São verdadeiras fôrmas nas quais podemos apenas nos adaptar, seja qual for a situação – pretensas soluções enlatadas, como se estivessem prontas para ser postas em prática, independentemente do contexto.

Você sabe do que estou falando: 4 Ps, 8 Cs, 4 As, 7Js etc etc etc.

No último evento sobre comunicação organizacional que fui, ouvi alguns destes conceitos pré-moldados que me indignaram a tal ponto de eu estar escrevendo aqui.

Falavam que a comunicação deve ser do “P” ao “P” (porteiro ao presidente), que o comunicólogo deve ser um “educomunicador”, que deve “informar, formar, transformar”… Cada vez que eu ouvia uma dessas, eu ficava mais puto por ouvir profissionais consagrados falando tantos conceitos vazios de significado e generalizantes. É como houvesse um método preciso para se chegar a uma boa idéia.

quadrado1.jpg
Dentre estas palavras do nosso cotidiano, as mais absurdas são aquelas que relacionam o efeito das ações com modelos de atuação:

Para chamar atenção: ambush. Para gerar mídia espontânea: PR Stunt. Para gerar expectativa, viral como teaser. Bla bla bla…

Uma frase do Umberto Eco resume muito bem isso tudo. Diz que há “expressões tão consagradas em si mesmas que definem qualquer situação que não saberíamos explicar de outro jeito”. E é isso mesmo. Pense em quantas vezes abdicamos de uma reflexão maior para aplicarmos conceitos pré-moldados que nos foram ensinados.

Sinceramente, pra que tudo isso?

Ok. Não vou ser tão radical. Seria loucura dizer pregar o extermínio de todos os modelos, visto que eles facilitam o entendimento superficial, numa etapa inicial de aprendizado. Num primeiro contato com algum assunto, estas generalizações são válidas.

Mas o que mais irrita, é que a cada hora cria-se uma expressão diferente para dizer a mesma coisa que, obviamente, já foi dita anteriormente. Penso que aqui, nos aproximamos da questão principal: a QUEM isso tudo serve?

Cada autor (professor ou profissional) cria uma “metodologia” diferente para se consagrar como o autor que tem a grande solução pra diversos problemas. Eles Lançam livros com frases e esquemas que se pretendem futuros jargões e modelos a serem seguidos.

Que isso é muito chato, todos nós sabemos. Temos que perceber o quanto isso limita uma compreensão mais ampla dos assuntos, prejudicando nossa formação e o desenvolvimento de nossas idéias. Conhecer a referência do modelo consagrado é aceitável, mas julgar que a aplicação do modelo é fator determinante do sucesso já é demais.

Diego Senise

1 Response to “Quadrados imperfeitos”


  1. 1 Dragoni outubro 2, 2007 às 8:15 pm

    Tem uma tese de doutorado lá na biblioteca que tem um pouco a ver. Ela fala sobre chavões jornalísticos. Pensando melhor, a relação entre essa tese e o post não é tão direta huahua, mas tem uma conexão muito legal, pq a tese diz como a utilização de chavões e frases de senso comum acabam se tornando automáticas pras pessoas, e elas acabam tornando o pensamento automático, impedindo a profundidade adequada no pensamento…é interessante, enfim, to brisando uhahua


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