O custo é o saco… não o dinheiro

Acho muito legal as análises sobre o custo-benefício de uma relação ( de consumo ou não) que não levam em conta somente o fator financeiro. São abordagens mais sofisticadas, que consideram a percepção geral pessoas.

O TCC do Fábio Alvim (A fé move mercados: o marketing da Igreja Internacional da Graça de Deus), aluno de publicidade da ECA-USP, tratou muito bem desse assunto, analisando as igrejas evangélicas no Brasil. Para os fiéis, o custo estava longe de ser somente o dízimo. O estudo considerou o esforço de sair de casa, a distância do local do culto, as exigências de comportamento social etc. A conclusão é que a estratégia de marketing das igrejas evangélicas de maior sucesso é diminuir ao máximo esses custos não-financeiros para fiéis. Para isso, as igrejas facilitam o acesso ao culto por meio da televisão, propiciam meios de transporte exclusivos para os fiéis nos principais metrôs e reduzem as exigências como usar cabelos longos e saias até o tornozelo. Assim, fica mais fácil (menos custoso) ser um membro da igreja, independentemente do valor do dízimo.

Esse jeito de ver o custo se aplica também à política, nos países que o voto não é obrigatório. Na percepção da maioria das pessoas, um voto não decide quem será eleito, pois há outras milhões de pessoas votando. As eleições trazem muitos custos como encontrar os documentos, sair de casa, pegar fila etc. Além do esforço durante a campanha, como ler programas de governo e se informar para poder escolher o melhor candidato. Ora, por que alguém teria tantos custos com uma eleição, se pessoas não percebem benefício nenhum em ir votar? Como o benefício é menor que o custo, as eleições têm baixa participação nesses países.

É impressionante como essa perspectiva dos custos podem ser aplicadas a qualquer situação, inclusive relações pessoal ou de trabalho. Parece-me que devemos sair do nosso perspectiva restrita do preço. Muito mais importante é perceber quanto as coisas são custosas para as pessoas, não quanto elas coisas custam.

Diego Senise

1 Response to “O custo é o saco… não o dinheiro”


  1. 1 dragoni dezembro 1, 2007 às 7:12 pm

    curti essa…
    de quem é esse tcc?


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s





%d blogueiros gostam disto: