Adventures Of An Adverting Woman

Cayce Pollard é uma lenda nos bastidores da publicidade internacional. Trabalha como free-lancer para redes mundias de agências, incluindo as pomposas butiques internacionais de design. Ela vive em Nova Iorque, mas atualmente está em Londres realizando uma consultoria para a Blue Ant, a chamado do próprio chefão da agência. Seu dom para logomarcas, na verdade, vem de um tipo de alergia-fobia que ela desenvolveu aos seis anos de idade. Ela não tolera qualquer tipo de produto que tenha marca registrada entre 1945 e 2000, o que leva ela a apagar todos os traços de marcas de suas próprias roupas. Contratada apenas para dar seu aval de especialista na elaboração de uma logomarca feita pela H&S, Cayce acaba sendo chamada pela Blue Ant, por debaixo dos panos, para descobrir a origem da maior e mais bem sucedida campanha viral que o mundo já viu.

Ah, Cayce é uma personagem de ficção.

Criada por William Gibson, Cayce Pollard é uma publicitária que caça tendências ao redor do mundo e as transforma em negócios para seus clientes. Seu trabalho, como ela mesmo descreve no livro, se trata de Reconhecimento de Padrões, definição que intitula o próprio livro (Pattern Recognition, o original). Para quem não conhece o autor, ele escreve livros sobre cibercultura (que é o que é por causa dele), futuro e ficção científica, e Matrix só veio depois de 25 anos que ele lançou seu primeiro livro (se você achou Matrix interessante, leia Neuromancer, Count-Zero e Monalisa Overdrive).

 

Apesar de falar do presente não ser a especialidade do autor, os caminhos percorridos por Cayce são muito instigantes, e nos levam a pensar que o futuro é agora, esteja você em Nova Iorque, Londres, Tóquio ou Moscou. Sempre relatando os ambientes de maneira extremamente descritiva, Gibson mostra, com exímio, um panorama do mundo simbólico em que vivemos hoje. Afinal, não preciso saber nada de você além das marcas que você usa. E é assim que Cayce enxerga seu redor. A exacerbação da presença das marcas em seu redor e sua hipersensibilidade aos estímulos de branding a levam, inclusive, a momentos cômicos, como uma grave crise alérgica desencadeada por displays promocionais cafonas da Tommy Hilfiger no meio de uma loja de departamentos.

O melhor do livro, além da singular sensibilidade a marcas da personagem principal, é a caça pelo “filme”. Nada mais do que uma obra inacabada de um filme que tem pedaços revelados de tempos em tempos, e que ninguém sabe quem é o autor, de onde vêm os trechos do filme ou em qual época o filme se passa. O “filme” gerou tanta repercussão que se criaram infinitas comunidades virtuais dedicadas a discutir teorias sobre o filme, além de se tornar a coisa cult mais celebrada no mundo atual. Ou como melhor definiu o presidente da Blue Ant, Hubertus Bigend, a mais bem sucedida campanha de marketing viral que já existiu, e não fui eu quem fez.

Pra quem quer esquecer um pouco a leitura superficial que a publicidade exige, e não sair do carrossel, vai aí um romance que vale a pena.

Rafael Lavor

P.S.: Agradecimentos ao cabiludo, pela indicação do livro e por ter cortado o cabelo!

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