Aprendizados sobre etnografia no planejamento

Há alguns dias, recebemos na CO.R a visita da Marcela Reynolds, da B-curious. Ela deu uma palestra para nós sobre etnografia e bateu um papo com todo o pessoal da agência. Nesse texto, trago alguns dos aprendizados daquele dia.

Etnografia é a observação de pessoas em diferentes contextos. Como nossa realidade é determinada pelos contextos, só a Etnografia pode captar as nuances destas variadas situações. Coisa que não poderia ser feita num grupo de foco, pois sabemos que a sala de espelho é um contexto nem um pouco habitual na vida das pessoas. Disso, percebe-se o quanto temos que relativizar as verbalizações das pessoas, quando elas são feitas fora de seus contexto.

Mesmo na etnografia, muitas vezes, a pessoa vai responder pensando em o que o pesquisador quer ouvir. Por isso, mais importante do que ouvir e aceitar as respostas das pessoas, é observar se o comportamento delas bate com o que elas falam. A verdade está no gesto ou no comportamento.

Em uma imersão etnográfica, você não sabe onde vai estar a resposta, nem qual é a pergunta a ser respondida. Não se trata de responder, mas de descobrir o significado das coisas na vida das pessoas. Serve para descobrir questionamentos. É uma tentativa de fazer uma observação a partir dos olhos dos outros.

Descobrir sem partir de hipóteses. O pesquisador não pode ir para a casa das pessoas com nenhum tipo de estereótipo sobre ela. Essa é a principal armadilha capaz de levar o método por água abaixo. Aliás, segundo Marcela, é bom ir para uma etnografia sabendo somente o nome da pessoa. Sem saber descrições de comportamento, situação da vida dela…. Isso só restringiria o seu olhar e suas possibilidades de observação.

Ela pensa: “vou me encontrar com aquilo que eu vou descobrir, seja lá o que for.” Só isso. Um bom exercício a se fazer é observar o que não se vê em algum ambiente. Isso mesmo, comparar o que eu vejo e o que eu não vejo.

Nunca se pode induzir resposta nenhuma, nem que o pesquisador saiba que a palavra está na ponta da língua da pessoa. O importante é saber como ela tenta se expressar (verbalmente e corporalmente) para falar sobre alguns assuntos.

O nível de sofisticação dos ingleses neste assunto me surpreendeu. As agências e empresas de Londres não querem mais que londrinos façam etnografia na própria cidade. Dão prioridade a estrangeiros ou pessoas que não conheçam o lugar. Isso porque quando você está há muito tempo em um mesmo lugar, você não vê mais nada, não percebe os detalhes e nuances de comportamento.

Além de tudo isso, a mais óbvia utilidade da etnografia é descobrir qual o momento do dia e qual a maneira que alguma mídia pode atingir determinada pessoa.

Como qualquer outra técnica de pesquisa, a etnografia tem suas limitações. A própria presença do pesquisador na casa ou lado das pessoas durante todo o dia já pode modificar o comportamento delas. Eu não andaria somente de cueca dentro da minha casa, como faço normalmente, se alguém estivesse me acompanhando todo o tempo.

Diego Senise

1 Response to “Aprendizados sobre etnografia no planejamento”


  1. 1 Maria José março 9, 2009 às 11:35 pm

    Achei o texto muito interessante. Se possivel, gostaria de receber mais textos sobre este assunto: etnografia

    grata

    Maria José


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