Arquivo para agosto \24\UTC 2008

Para explicar planejamento… ou não!

Já ouvi muitos planejadores reclamando por aí que suas mães não entendem o que eles fazem da vida. Não é tão fácil de explicar como outras funções da publicidade.

Como as metáforas sempre são esclarecedoras, resolvi chupinhar para este contexto as imagens que Carlos Ginzburg elaborou para analisar a característica do bom historiador. Em seu texto, ele fala do:

Caçador, que se depara com muitas pegadas em diversas direções, e precisa encontrar uma ordenação sequencial para achar o animal.

Detetive, que precisa analisar evidências desencontradas (às vezes, até mentirosas) para conseguir chegar ao criminoso.

Psicanalista, cujo trabalho é fazer o paciente falar muito sobre sua própria vida e sobre alguns acontecimentos. No meio daquela enormidade de informações, o psicanalista deve selecionar somente alguns trechos da fala do paciente para entender seus sintomas. Isso porque a maioria das coisas que os pacientes falam são “da boca para fora”.

Historiador que tem, diante de si, uma infinidade de fatos históricos possíveis de serem contados. Dentre eles, o bom historiador escolhe somente alguns fragmentos para que a história que ele está contando faça sentido e seja bem entendida.

Todas eles têm o desafio de criar um sentido ou um caminho coerente para algo, partindo de uma caralhada de informações totalmente desordenadas.

Talvez os últimos dois exemplos (principalmente) sejam úteis para refletirmos sobre nossas profissões. “Não… que bobagem. Pára de inventar moda, mané!” Já sei! Talvez isso sirva para a gente se explicar melhor para os outros, que não conhecem nossa área. “Nhé, mais ou menos.”

Talvez, não sirva para muita coisa além de preencher as linhas desanimadas de um post sem inspiração.

Diego Senise

Por que contar histórias?

Graças a John Steel, se tornou axioma do planejamento publicitário que uma boa apresentação é aquela que conquista sua audiência contando uma boa história. Os planejadores deixaram de lado as apresentações “blocadas” por tópicos (o consumidor, a concorrência etc.) para construir raciocínios em forma de narrativa – com começo, meio e fim.
Mas por que contar histórias?
Há uma referência da antropologia que nos ajuda a entender um pouco sobre isto.
Mas antes de ir ao ponto deste post, guardemos uma premissa: nas histórias de mitologia, sempre há uma polarização entre o Bem e o Mal, de maneira que sempre Bem prevalece.
Em A Eficácia Simbólica, Levi Strauss nos conta o caso de uma aldeã que vivia numa comunidade indígena. Ela passava por complicações de saúde e se desesperava porque ficava cada vez pior. O xamã da tribo foi chamado para conversar com ela. No papo, conseguiu convencê-la a associar aqueles problemas internos à mitologia. Aceitando isso, ela ficou aliviada, pois sabia que as histórias da mitologia sempre acabavam bem. Reduzindo sua preocupação (stress, em palavras atuais), conseguiu realmente se curar.
Por que histórias? Porque nós precisamos dar sentido ao que vivemos, acomodar nossos sentidos. A narrativa converte as a desordem inexplicável dos acontecimentos das nossas vidas em experiências dotadas de significados definidos – em alguns casos, até previsíveis.
Se o poder simbólico das narrativas pode ser até terapêutico, imagine o quanto elas podem nos ajudar a esclarecer o planejamento e acalmar os ânimos de nossos clientes ansiosos.

Diego Senise