Vícios privados, benefícios públicos

Uma das idéias mais legais que conheci nos últimos tempos foi a de Mandeville.

Em sua Fábula das Abelhas, o filósofo, economista e poeta nos traz um conceito que diz que vícios privados se convertem em benefícios públicos.

Trata-se da história de uma colméia próspera que pede a intervenção divina para redimir suas falhas morais. O resultado é que numa comunidade sem falhas morais, a colméia deixa de produzir e crescer.

A moral da história é que sem ambição, desejo de ostentação e outros “vícios humanos”, não haveria o equilíbrio de uma sociedade. Isso porque não podemos depender da bondade das pessoas. Sendo egoísta por natureza, podemos produzir indiretamente fins que sejam positivos do ponto de vista social.

Esta é uma ética que desconsidera as intenções e leva em conta só as conseqüências. A intenção do consumo do luxo é a diferenciação e o reconhecimento. Mas, esta intenção individualista acaba produzindo uma rede de progresso e sustentação de muitos pobres – que nem passaram pela cabeça de quem consumia.

No poema, o autor diz que:

“sons dissonantes produzem, unidos, um harmonioso acorde”.

Minha idéia aqui é extrapolar o tema puramente macroeconômico e ver como esta lógica que poderiam ser pensadas no nosso dia-a-dia.

Um bom exemplo deste pensamento vem do Citibank. A empresa paga dois salários: um em dinheiro e outro em “vale qualidade de vida”. A lógica é que o funcionário pode fazer atividades extracurriculares que serão bancadas pela empresa. Entre elas estão academia, aula de línguas, esportes, teatro etc.

Esta lógica poderia ser aplicada aos funcionários públicos. O vício privado de querer “sugar” ao máximo o meu empregador (que é natural, não somente para os funcionários públicos), os levaria a fazer atividades que melhorariam sua saúde. Desta maneira, o benefício público seria o menor número de faltas e de licenças médica.

Outra idéia ainda nessa pega de RH: o governo poderia fazer uma parceria com um supermercado para oferecerem aos seus funcionários um “cartão saudável”. Ele teria um crédito em dinheiro que só poderia ser gasto em produtos saudáveis (frutas, verduras etc.). Mesmo que não gostem muito destas comidas, os funcionários as levariam para suas geladeiras somente para não perder aquela oportunidade de graça. Seria uma maneira de mudar os hábitos alimentares das pessoas e, consequentemente, ter funcionários públicos mais saudáveis.

Como não podemos acabar com nossos vícios, por que não pensar algo de bom que resulte deles?

Diego Senise

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