Arquivo para novembro \25\UTC 2008

interpretação: outro ponto de vista

O universo não está escrito desde a eternidade – ele é, antes de tudo, um vazio. Interpretar não é nunca dispor de um sentido, memo que oculto: a interpretação é , ao contrário, impressão numa página em branco; interpretar é produzir sentidos e signos [e não, descobrí-los].

Leon Kossovitch, Signos e Poderes em Nietzsche

Atitude de Marca Política

senado

Uma idéia que nunca vai ser implementada:

O Democratas (antigo PFL) poderia tomar a iniciativa de reduzir, espontaneamente, o número de assessores do Congresso. Eles são muitos, e muito bem pagos. Seria uma maneira de reduzir os gastos públicos e enxugar o Estado – o que vai bem ao encontro das crenças desse partido que se diz liberal. Uma maneira ousada de demonstrar quais são as crenças dessa marca.

Não acredito que um dia isso ocorra. Diferentemente dos EUA, a lógica dos partidos no Brasil não é uma lógica de marca. A maioria das pessoas vota em pessoas, não em partidos.

Diego Senise

Liberdade: outro pontos de vista

fernandopessoa

Liberdade, Fernando Pessoa

Ai que prazer
Não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
E não o fazer!

Ler é maçada.
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.


Quem nunca sentiu esse peso na consciência por ter um livro na estante e não o ler? Liberadde, então, não é poder fazer o que quiser, mas ter a cosciência tranquila por não fazer tudo o que a liberdade permite. É não ser pressionado por si mesmo.

Diego Senise

Sociologia da Fotografia

monumento-aos-bandeirantes-m

Ao fotografar, conretizamos a imagem que a sociedade gostaria de ter de si mesma. Seria esta a análise sociológica?

J.S.M – SIm. E, é claro que existem padrões. (…) A partir do boom do cinema, essas fotos passaram a imitar cenas dos filmes norte-americanos. Algo fora da realidade dessas pessoas. Precisamos levar em conta que o imaginário vai sendo produzido conforme as circunstâncias.

Essa entrevista foi publicada na edição de outubro de 2008 da Revista Brasileiros. Nela, José de Souza Martins abre nossos olhos para um estudo ainda pouco explorado: a sociologia da foto.

sociologia-da-foto

Considera a foto não como documentação objetiva da história. Lembra-nos que a fotografia está envolta por um imaginário com o qual temos que interagir para entender seus significados. Neste contexto, estamos considerando as fotos mais corriqueiras do dia-a-dia. Não estamos tratando de fotos da mídia, que tem uma carga ideológica e interessada que renderia muitos outros posts.

“Não quero sair assim da na foto. Tira outra.” Essa é uma frase bem recorrente para nós. Podemos analisá-la segunda o livro Memória e Sociedade de Eclea Bosi. Para ela, existe um princípio de correlação entre memória e identidade. As memórias e as imagens do passado compoem a identidade da pessoa. A identidade seria aquio que já se fez de importante, que é memorável (individual ou coletivamente).

memoria-e-sociedade1

Como a memória não consegue armazenar tudo, existe uma seleção cujo filtro são as boas recordações… aquelas que a pessoa deseja que componham sua identidade. Recordamos fatos marcante, nos esquecemos dos constrangimentos e das tristezas. Cada vez que somos perguntados sobre nós mesmos, criamos uma fantasia, um mundo de seleções, fragmentos do nosso percurso que mereceram lugar na memória pois cumprem o papel de serem reconhecidas pelos outros.

As fotos do dia-a-dia têm 2 características que nos fazem perceber a relação entre elas e esta teoria.

1) Como a foto é materialização do passado, ou pelo menos, um meio para que surjam as lembranças dos momentos.

2) Uma foto ser a captação de um instante, que está necessariamente no passado. Porém, ela desperta significados no presente – no momento em que se mostra para alguém.

Por causa desta função social mediação de sentidos entre as pessoas, a foto é protagonista na formação da identidade das pessoas. Naturalmente, nós tentamos ter o mínimo controle sobre como vamos ser reconhecidos pelos outros.

Diego Senise

Conversa dos outros #4

Fran´s Café, durante o almoço.

“Então, já vai fazer 8 meses que tô morando aqui em São Paulo. Mas sempre comprei tudo no Rio de Janeiro, sabia? Roupas, eletrônicos, calçados, até pra cortar o cabelo eu ia pro Rio”. Os amigos ao redor da mesa, curiosos, lançaram logo um porquê. O rapaz, rindo ao montes como quem antecipa o final de uma piada esdrúxula, conclui: “Pô, o Rio precisa muito mais do meu ICMS do que São Paulo! Fala ae! Rá!”

Ninguém riu.

Rafael Lavor

Arte do nosso tempo?

green

Que a conscientização socioambiental já atingiu o campo da arte não é novidade. Inúmeros artistas já fizeram trabalhos para refletir um pouco mais de nosso tempo. A novidade é que demanda social pela responsabilidade e sustentabilidade dos projetos está ganhando tons institucionalizados: os “lugares de arte” (museus) estão trazendo para dentro deles manifestações cujos diferenciais não estão relacionados somente a sua estética, mas ao seu processo (sustentável) de produção.

Só me toquei disso quando fui no Museu da Casa Brasileira lá na Faria Lima. Estava tendo uma exposição de bolsas que foram produzidas por grupos de design com materiais recicláveis ou reaproveitados e em parceria com comunidade carentes. Além de conceber e produzir projetos realmente belos e sustentáveis, os projetos visavam ensinar técnicas que permitisse que os membros da comunidade gerassem sua própria renda após o fim do projeto.

bolsa

Esse movimento das instituições de arte chancela que os novos valores sociais devem modificar nossa percepção da arte. Parece que passamos a incluir mais um critério na valoração daquilo que é chamado arte: o processo de produção. Na apreciação do belo, vemos também o que há por trás da obra, não só o que nosso olhar capta. Os conceitos que a arte transmite não estão mais somente no estético (e seus significados), mas também na história que seu processo de produção pode contar. Tal arte não seria a mesma coisa sem a plaquinha ao lado com a descrição do projeto.

Isso levanta a bola da questão do papel da arte. Esse movimento dos museus que vimos aqui está relacionado com a concepção idealista de arte de Shelling. Para ele, arte é aquilo que torna o ser-humo melhor. A arte teria um papel pedagógico. A arte deve mostrar a representação do que há de melhor da realidade (atualmente, um trabalho artístico e que ainda melhora a sociedade). Assim, inspirando-se nisto, o público desta arte também tentaria melhorar a realidade.

PS: Parabéns pro Rafa lá da Leo Burnett, que participou desse projeto e criou uma bolsa bem legal junto com uma comunidade.

projeto-rafa

Diego Senise