Sociologia da Fotografia

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Ao fotografar, conretizamos a imagem que a sociedade gostaria de ter de si mesma. Seria esta a análise sociológica?

J.S.M – SIm. E, é claro que existem padrões. (…) A partir do boom do cinema, essas fotos passaram a imitar cenas dos filmes norte-americanos. Algo fora da realidade dessas pessoas. Precisamos levar em conta que o imaginário vai sendo produzido conforme as circunstâncias.

Essa entrevista foi publicada na edição de outubro de 2008 da Revista Brasileiros. Nela, José de Souza Martins abre nossos olhos para um estudo ainda pouco explorado: a sociologia da foto.

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Considera a foto não como documentação objetiva da história. Lembra-nos que a fotografia está envolta por um imaginário com o qual temos que interagir para entender seus significados. Neste contexto, estamos considerando as fotos mais corriqueiras do dia-a-dia. Não estamos tratando de fotos da mídia, que tem uma carga ideológica e interessada que renderia muitos outros posts.

“Não quero sair assim da na foto. Tira outra.” Essa é uma frase bem recorrente para nós. Podemos analisá-la segunda o livro Memória e Sociedade de Eclea Bosi. Para ela, existe um princípio de correlação entre memória e identidade. As memórias e as imagens do passado compoem a identidade da pessoa. A identidade seria aquio que já se fez de importante, que é memorável (individual ou coletivamente).

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Como a memória não consegue armazenar tudo, existe uma seleção cujo filtro são as boas recordações… aquelas que a pessoa deseja que componham sua identidade. Recordamos fatos marcante, nos esquecemos dos constrangimentos e das tristezas. Cada vez que somos perguntados sobre nós mesmos, criamos uma fantasia, um mundo de seleções, fragmentos do nosso percurso que mereceram lugar na memória pois cumprem o papel de serem reconhecidas pelos outros.

As fotos do dia-a-dia têm 2 características que nos fazem perceber a relação entre elas e esta teoria.

1) Como a foto é materialização do passado, ou pelo menos, um meio para que surjam as lembranças dos momentos.

2) Uma foto ser a captação de um instante, que está necessariamente no passado. Porém, ela desperta significados no presente – no momento em que se mostra para alguém.

Por causa desta função social mediação de sentidos entre as pessoas, a foto é protagonista na formação da identidade das pessoas. Naturalmente, nós tentamos ter o mínimo controle sobre como vamos ser reconhecidos pelos outros.

Diego Senise

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