Arquivo para dezembro \23\UTC 2008

Megapix: a função do Créu

Ontem anoite, confraternizando com a família, as pessoas se revezavam entre a conversa e a zapeada na TV a cabo. De repente, silênciao. Todos de olhos fixos na tela: muitas risadas. Era A Dança do Créu encenada por famosos em cenas defilmes.

Na verdade, este filme não é nada. Nada além de entretenimento. É uma montagem que poderia ter sido feita por uma criança. Mas ele cumpre um papel muito importante que pôde ser constatado rapidamente. Quando o comercial terminou, todo se perguntaram que: “Que canal é esse? Megapix? Legal! Não conhecia. Que mais passa nesse canal?”

Simplesmente isso, o objetivo do filme é fazer o percebessem no meio da imensidão de canais da TV por assinatura. 

Diego Senise

Anúncios

Base da Pirâmide

Inspirado pelo excelente estudo realizado por Marlene Bregman da Leo Burnett sobre a Base da Pirâmide, fui procurar um pouco mais de conteúdo sobre empresas que estão atuando de maneira relevante para estas pessoas que gastam até 2 dólares por dia. 

Muhammad Yunus é um economista ganhador do Prêmio Nobel da Paz pelo fato de ter criado o Grammeen Bank, banco de micro-crédito com foco nas pessoas que estão na Base da Pirâmide na Índia. Neste vídeo, Yunus explica com muita clareza como ele criou uma empresa que “coloca de cabeça para baixo o modelo de negócios de um banco comum”.

Os pontos mais importantes desse “modelo de negócio de cabeça para baixo”, para você que não tem tempo de ouvir a palestra:

O banco emprestas pequenas quantias (desde 0,50 centavos até alguns dólares). Não existe exigência de garantia de pagamento. O banco, simplesmente, confia que as pessoas pagarão. Se não pagam, só perdem o direito de fazer outro empréstimo. Não há punição, processos, prisões. Nada. No fim das contas, a maioria das 7,5 milhões de pessoas com empréstimos pagam o que devem, e o Grameen Bank já moveimenta 500 milhões de dólares. 

Quanto menos dinheiro a pessoa tem, maior a sua prioridade de receber empréstimos do Grameen Bank. Ao contrário de um banco comum, quanto menos garantias materiais de pagamento, mais fácil de conseguir o empréstimo.

Não são as pessoas que procuram o banco para “pedir” dinheiro emoprestado. Os funcionários do banco, semanalmente, vão até as aldeias oferecer pequenos empréstimos às pessoas que necessitam. Além disso, fazem um acompanhamento das famílias que já fizeram o empréstimo.

97% dos empréstimos são feitos para mulheres. A estratégia do banco é focada nelas pois se percebeu que quando o dinheiro entra na família por meio da mulher, há muito mais benefícios do que quando o dinheiro entra pelas mãos do homem.

india1

Programa que transforma pedintes e mendigos em empreendedores. O banco foi conversar com eles: os convenceram a deixar de pedir dinheiro e passar a vender produtos porta-a-porta. Para isso, o banco fez pequenos empréstimos para que os mendigos pudessem comprar seu estoque inicial de balas, doces e comidas que eles passariam a vender. Atualmente, são 100 mil mendigos neste programa. 10 mil deles já pararam definitivamente de mendigar.

– O banco criou uma empresa de telefonia celular. A idéia foi levar os celular até as mulheres pobres das aldeias, dar empréstimos para que elas comprassem os aparelhos. Isso tudo, para que depois, elas passassem a vender o serviço de telefonia para as outras pessoas da aldeia. 

– Todo o lucro é reinvestido nos próprios micro-empréstimos. Para Muhammad Yunus, o dinheiro que vem de uma doação só tem uma “vida”, só uma chance de fazer a diferença. Um business social coloca o dinheiro num ciclo virtuoso.

In that company, nothing come back to you, except the investiment that you made. If you made one million dollars investiment, you can take this one million dollars… over years. And that´s it. That is not why you cerated the company. You created the company to solve the problem.”

 

Diego Senise

Resultado: pesquisa on line

É… não rolou. Por algum motivo, a Soninha não me entregou os números de e-mails recebidos por ela no período combinado.

update: Roberta Rosa, a relações  públicas da Soninha, enviou os seguintes dados:

1. A vereadora recebeu 171 mensagens sobre a questão do rodízio de advogados. Num dia normal, são cerca de 80.

2. O aumento em seguidores foi de 54 pessoas. Ants eram 890, agora são 944.

Obviamente, não podemos inferir nenhuma conclusão deste resultado. Fica a idéia que se deve prestar mais atenção nas possibilidades de utilização da internet para ativar a consciência política adormecida nas pessoas. Sobre o processo de pesquisa em si, transcrevi aqui um bom comentário que o Leleba, professor e pesquisador de comunicação lá da Usp, me mandou por e-mail sobre essa idéia de pesquisa. Na íntegra:

O grande problema de medir o retorno via um único canal (a Soninha), só permite a inferência para veradores com as mesmas características que ela e, assim mesmo, com sérias restrições quanto à confiabilidade dos resultados.

Talvez fosse o caso de incluir outros vereadores (o maior número possível) em troca por exemplo de uma análise executiva dos resultados, possibilitanto assim que os próprios vereadores pudessem avaliar a capacidade do meio como resposta da população e, principalmente, como o tema está afetando a população.

Lembre-se que para responder o indivíduo tem que estar exposto aos estímulos (seu email), portanto o incremento (se houver) está limitado a este número de pessoas, seu interesse no tema e o quanto elas passaram para outras pessoas (o que vc pode medir enviando um novo email e perguntando para quantas pessoas cada um passou o email, e quantos destes iniciais enviaram o email para os vereadores).
Um abraço
Leandro”

Diego Senise

Pesquisa on line: engajamento político

sou-consciente-mas-nao-participo

 

Ontem, diante da notícia esdrúxula sobre a proposta de isenção do rodízio para os advogados , tive a idéia de fazer um estudo on line do comportamento dos cidadãos paulistanos. 

Quero descobrir se o a questão do engajamento (reivindicação diante do legislativo) é algo que ainda depende de conscientização ou se é questão de oportunidade de comportamento, de as pessoas terem a chance de participar sem fazer muito esforço.

Seguindo como premissa teórica de Solomon sobre o comportamento, queremos descobrir se campanhas para que o cidadão participe mais da política devem se focar no nível da crença, do afeto ou desse “estalo” para o comportamento.

Um bom exemplo é a questão da doação de sangue: parece-me que não adianta fazer campanhas de conscientização… todos já sabem da importância… eles precisam ter a chance (sem muito esforço) de participar. 

A melhor estratégia seria, então, levar um caminhão para recolher sangue no lugar onde as pessoas estão (universidades, por exemplo). É só parar lá na frente, que aquela mesma pessoa que nunca saiu de casa para doar, possivelmente, vai fazê-lo se tiver tempo. Ela já estava predisposta. Suas crenças e afetos com relação ao assunto já eram positivos. Já estava num estado “latente” de doação, só faltava o estímulo.

 

 

 

 

atitude1 

 

Método: a idéia é pegar esse tema da isenção do rodízio para advogados: mandei e-mail para toda minha lista de e-mails estimulando as pessoas a encherem a caixa de e-mail dos vereadores com reclamações. O detalhe é que, no corpo do e-mail já estava uma lista com o e-mail de todos os vereadores prontos para serem copiados e colados. A pessoa não terá esforço nenhum além de escrever seu próprio e-mail pros vereadores. Não precisará pesquisar um por um nem entrar no site da câmara. Também twittei o assunto.

Mensuração: para chegar ao resultado da pesquisa, vou contar com a ajuda da vereadora Soninha Francine, que foi a única a me responder quando mandei minha reclamação para os vereadores. Os pontos calculados serão:

o aumento do número de e-mails recebidos por dia. Partiremos do número médio de e-mails que ela recebe e depois é só calcular o aumento. Como o e-mail da Soninha é um no meio da lista de todos os vereadores, podemos presumir que quando ela receber alguma mensagem, os outros também receberão.

 o aumento de pessoas te seguindo no twitterAtualmente são 890.

Para nos aproximarmos mais de um resultado preciso, pedi para a Soninha responder todos os e-mails que chegarem para ela sobre o tema, comunicando que as pessoas podem segui-la no Twitter. Como lá, ela escreve o que está rolando na Câmara, este seria mais um jeito de medir se as pessoas estão querendo que as informações políticas cheguem até elas sem muito esforço.

Prazo: começa hoje (quarta-feira, 03/12/08) e vai até sexta (sexta-feira, 05/12/08). Daí, fecharemos o resultado e publicaremos aqui.

É isso. Vamos ver no que dá.

Diego Senise

 

 

 

Fred Gelli: tempo é valor

foto-post

 

Fred Gelli, sócio da Tátil Desgin, trouxe uma idéia muito legal ontem na Conferência de Planejamento.

Seguindo uma pegada sustentável, Gelli diz que os objetos passam a ter valor de acordo com quanto tempo nós a utilizamos num período determinado. Por exemplo:

– carro: 1,5 horas por dia

– furadeira: 30 minutos por ano

– copo plástico: 5 segundos, ou quanto durar a golada.

Desta maneira, esses objetos que envolvem pouco tempo do nosso dia-a-dia teríam que ser menos destrutivos ao planeta. Não fari mais sentido comprar esses tipos de objeto. O transporte coletivo e as caronas seriam alternaivas à lógica de um carro por pessoa. Para não ter que comprar uma furadeira por família, os prédios poderiam disponibiliza-las coletivamente. A caneca é a saída duradoura para deixar de usar copoinhos plásticos.

Para Gelli, essa lógica mais coletiva e duradoura do consumo dos produtos pode ser uma saída para uma boa relação entre sociedade de consumo e meio ambiente.

Será?

Diego Senise