Archive for the 'Outro ponto de vista' Category

Base da Pirâmide

Inspirado pelo excelente estudo realizado por Marlene Bregman da Leo Burnett sobre a Base da Pirâmide, fui procurar um pouco mais de conteúdo sobre empresas que estão atuando de maneira relevante para estas pessoas que gastam até 2 dólares por dia. 

Muhammad Yunus é um economista ganhador do Prêmio Nobel da Paz pelo fato de ter criado o Grammeen Bank, banco de micro-crédito com foco nas pessoas que estão na Base da Pirâmide na Índia. Neste vídeo, Yunus explica com muita clareza como ele criou uma empresa que “coloca de cabeça para baixo o modelo de negócios de um banco comum”.

Os pontos mais importantes desse “modelo de negócio de cabeça para baixo”, para você que não tem tempo de ouvir a palestra:

O banco emprestas pequenas quantias (desde 0,50 centavos até alguns dólares). Não existe exigência de garantia de pagamento. O banco, simplesmente, confia que as pessoas pagarão. Se não pagam, só perdem o direito de fazer outro empréstimo. Não há punição, processos, prisões. Nada. No fim das contas, a maioria das 7,5 milhões de pessoas com empréstimos pagam o que devem, e o Grameen Bank já moveimenta 500 milhões de dólares. 

Quanto menos dinheiro a pessoa tem, maior a sua prioridade de receber empréstimos do Grameen Bank. Ao contrário de um banco comum, quanto menos garantias materiais de pagamento, mais fácil de conseguir o empréstimo.

Não são as pessoas que procuram o banco para “pedir” dinheiro emoprestado. Os funcionários do banco, semanalmente, vão até as aldeias oferecer pequenos empréstimos às pessoas que necessitam. Além disso, fazem um acompanhamento das famílias que já fizeram o empréstimo.

97% dos empréstimos são feitos para mulheres. A estratégia do banco é focada nelas pois se percebeu que quando o dinheiro entra na família por meio da mulher, há muito mais benefícios do que quando o dinheiro entra pelas mãos do homem.

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Programa que transforma pedintes e mendigos em empreendedores. O banco foi conversar com eles: os convenceram a deixar de pedir dinheiro e passar a vender produtos porta-a-porta. Para isso, o banco fez pequenos empréstimos para que os mendigos pudessem comprar seu estoque inicial de balas, doces e comidas que eles passariam a vender. Atualmente, são 100 mil mendigos neste programa. 10 mil deles já pararam definitivamente de mendigar.

– O banco criou uma empresa de telefonia celular. A idéia foi levar os celular até as mulheres pobres das aldeias, dar empréstimos para que elas comprassem os aparelhos. Isso tudo, para que depois, elas passassem a vender o serviço de telefonia para as outras pessoas da aldeia. 

– Todo o lucro é reinvestido nos próprios micro-empréstimos. Para Muhammad Yunus, o dinheiro que vem de uma doação só tem uma “vida”, só uma chance de fazer a diferença. Um business social coloca o dinheiro num ciclo virtuoso.

In that company, nothing come back to you, except the investiment that you made. If you made one million dollars investiment, you can take this one million dollars… over years. And that´s it. That is not why you cerated the company. You created the company to solve the problem.”

 

Diego Senise

Curiosidade: outro ponto de vista

“Quanto ao motivo que me impulsionou [a escrever A História da Sexualidade] foi muito simples. Para alguns, espero, esse motivo poderá ser suficiente por ele mesmo. É a curiosidade – em todo caso, a única espécie de curiosidade que vale a pena ser praticada comum pouco de obstinação: não aquela que procura assimilar o que convém conhecer, mas a que permite separar-se de si meesmo.

De que valeria a obstinação do saber se ele assegurasse apenas a aquisição de conhecimento e não, de certa maneira, e tanto quanto possível, o descaminho daquele que conhece? Existem momentos na vida onde a questão de saber se se pode pensar diferentemente do que pensa, e perceber diferentemente do que se vê, é indispensável para continuar a olhar e refletir.”‘

Trecho retirado do livro História da Sexualidade, de Michel Foucault

Diego Senise

Remorso: outro ponto de vista

Charles Baudelaire, As Flores do Mal

A tolice, o pecado, o logro, a mesquinhez
Habitam nosso espírito e o corpo viciam,
E adoráveis remorsos sempre nos saciam,
Como o mendigo exibe a sua sordidez.

Neste poema, Baudelaire nos traz um ponto de vista sobre o remorso bem oposto ao que nossa tradição cultural no conta. Sendo nosso corpo e alma viciados nos atos e prazeres mais “impuros” (mesquinhez, pecado), o remorso posterior a este atos não seria ruim.

Diego Senise

Outro ponto de vista

Depois que passamos a escrever pequenos drops sobre a “conversa dos outros”, eu e o Rafa paramos pra pensar o que mais poderia servir de matéria-prima para inspirar nosso dia-a-dia. Chegamos a um ponto bem simples: trazer à tona outros pontos de vista com relação às coisas.

Pode ser com relação a uma palavra, uma idéia, um tema, uma propaganda, um comportamento etc. A idéia é parar pra pensar naquelas coisas que parecem estar tão estabelecidas nas nossas cabeças que nem reparamos (ou pensamos) direito nelas. O ponto de vista apresentado sempre será OUTRO, o que não significa verdadeiro, questionador, transgressor. É apenas um outro olhar.

Acreditamos que esse deslocamento do nosso olhar sobre as coisas pode arejar nossas cabeças e permitir que novas idéias surjam.

Diego Senise e Rafel Lavor